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22/11/2013 - Heitor Férrer saúda General Gomes de Matos

Senhoras e senhores

 Há mais de trezentos e cinqüenta anos bravos homens da nação nascente, irmanados pelo ideal de liberdade, protagonizavam uma das mais heróicas batalhas entre todas as inscritas na História Militar do Brasil. Naqueles anos das décadas de 40 e 50 do século XVII davam-se os renhidos combates nos Montes Guararapes, em terras pernambucanas, cujo significado para a história do nosso povo e, sobretudo para a formação do Exército Brasileiro, constitui sem dúvida ponto basilar.

Os nomes de André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão expressam a conjunção do elemento europeu, da etnia negra e do elemento autóctone na formação democrática daquelas falanges heróicas que seriam o embrião do Exército Brasileiro de hoje. Naquele momento, todos se reuniram para o embate sob a bandeira da expulsão dos alienígenas flamengos que ambicionavam a conquista das imensas riquezas do solo pátrio.

A grandiosa Batalha dos Guararapes, assim como as tantas lutas do povo brasileiro ao longo da sua história sempre contou com a corajosa e intimorata atuação do Estado fardado, o braço armado do povo a defender os mais elevados e legítimos valores da nacionalidade. E esta constatação inalienável para quantos se debruçam sobre a História do Brasil, não apenas dá uma ideia da concretude da participação do Exército na consolidação da nação brasileira, mas, sobretudo, da sua formação democrática, posto que é ele formado por brasileiros dos mais variados matizes ideológicos, dos rincões mais diversos desse país continental, bem como das mais diferentes condições econômicas e sociais.

Como bem lembrou o General Paulo Roberto Laranjeira Caldas, como o homenageado desta noite ex-comandante da 10a Região Militar, ao proferir palestra na abertura da Semana do Exército, em abril de 2001, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, a jornada dos Montes Guararapes foi plena de simbolismo, pois “índios, brancos, negros e mestiços se uniam, pela primeira vez para um empreendimento genuinamente nacional. Pela primeira vez, também, a palavra Pátria era aplicada para referir-se ao Brasil. Usando táticas e técnicas de guerrilha, um povo oprimido lograva impor sua vontade ao dominador. Prevaleceram a autodeterminação e a integridade do Território. A partir dessa epopéia, já não havia, apenas, filhos de um mesmo solo em torno de um de um simples ideal de libertação, mas sim, as bases do Exército Brasileiro e da própria Nação”.

Sinto-me, pois, perfeitamente à vontade para falar sobre uma das ilustres personalidades que compõem o oficialato do Exército Brasileiro. Estimulado pelo conterrâneo e amigo Coronel Adauto Bezerra, um dos mais notáveis oficiais dessa gloriosa corporação formada por homens reconhecidamente probos, tive a iniciativa de propor a esta Casa Projeto de Lei concedendo a cidadania honorária ao General Geraldo Gomes de Matos Filho, cujo berço natural é, coincidentemente, a terra dos Guararapes, posto que nasceu em Recife, capital do Estado de Pernambuco.

O General Gomes de Matos é um dos oficiais mais dignos e respeitados do Exército Brasileiro, mercê de seu descortino como líder e comandante que sabe o poder da disciplina tanto quanto da amizade. Aprendeu nos bancos das escolas militares e no dia-a-dia da caserna, que a ordem que busca a harmonia subjaz ao respeito mútuo entre comandante e comandado. Aí reside o segredo da liderança que convence pelo exemplo mais do que pela palavra, sem desta descuidar para a orientação e a tomada de decisões.

É importante salientar que, de par com seus dotes intelectuais, qualidades pessoais e virtudes cívicas, o General Gomes de Matos, lista em seu curriculum vitae um sem número de cursos que o fazem um dos grandes conhecedores das peculiaridades sociais, econômicas e políticas da nação brasileira.

O nosso homenageado desta noite comandou a Décima Região Militar, nesta capital, com proficiência, tato, tino e lucidez de líder que se faz respeitar com naturalidade pela população sob sua jurisdição e guarda. Durante os breves anos em que comandou a Região Militar que compreende territorialmente os Estados do Ceará e Piauí, o General Gomes de Matos prestou relevantes e inestimáveis serviços ao povo deste sofrido pedaço de Nordeste. Fê-lo nos mais diversos campos da atividade social e econômica, assim como na área cultural, como estimulador do conhecimento e do estudo, sobretudo em favor da juventude.

Foram tantas e tão profícuas as iniciativas e ações levadas a termo pela Décima Região Militar, sob o comando do General Gomes de Matos, que seria fastidioso enumerá-las nesta oportunidade, em que estamos tão somente a reconhecer  e exaltar os inegáveis predicados morais, intelectuais e profissionais de um militar que honra sobremodo a história das nossas Forças Armadas, sobretudo do Exército Brasileiro e, por conseguinte, do nosso povo.

General Gomes de Matos, a Assembleia Legislativa determinou por sua maioria que eu seja o portador do prêmio que vos foi conferido e que ora vos entrego em nome de todos os que compõem esta Casa.

Doravante V. Exa. está inscrito como mais um bravo filho desta Terra de Iracema, terra de sol e verdes mares bravios, conforme cantou o romancista e poeta José de Alencar.

Esta Terra da Luz, cujo povo tem largo coração e alma nobre, o recebe com grande alegria como um dos seus mais ilustres filhos.

Sejais, pois, bem-vindo!

 

Muito obrigado.

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