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11/07/2016 - Entrevista da semana – Institutos investem para reduzir margens de erros

Os diretores da Ampla Pesquisa, Agliberto Junior e Francisco Morel, em entrevista ao jornal O Estado, classificaram a disputa eleitoral em 2016 como “atípica”, justificada, segundo eles, pelo momento de instabilidade política e as mudanças eleitorais estabelecidas para as campanhas deste ano, como por exemplo a redução para 45 dias no tempo de campanha. Além das expectativas eleitorais, o jornal O Estado também repercutiu os insistentes “erros” dos institutos de pesquisas. A reportagem relembrou os casos ocorridos na disputa presidencial de 2014 — entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), além das críticas proferidas pelo deputado Heitor Férrer, em 2012, quando se sentiu prejudicado pelo resultados na reta final da disputa pela Prefeitura de Fortaleza.


[Francisco Morel] O ano de 2016 é bem atípico. Desde o final do ano passado, começamos a ser bombardeados por política. Então, a política está cada vez mais no nosso dia a dia, o que incita a população a querer ter mais consciência política, embora não seja algo ainda intrínseco na nossa cultura. Hoje, temos um ambiente de estabilidade muito grande, que não foi observado em anos anteriores. Olhando do lado de quem vai participar de uma campanha e entender como essas pessoas irão votar, acho que será fundamental a utilização das pesquisas, até mais que outros momentos. Atualmente, o ceticismo com a politica é muito grande. As pessoas estão bipolarizadas, entre esquerda e direita. São dois lados que ainda não sabe como irão se comportar. Então, entender e saber para onde vão, isso é importante. Por isso, por ser um ano atípico, se reforça a necessidade de pesquisar. Pesquisa eleitoral será fundamental.

[OE] Tivemos algumas mudanças na legislação. Como esse fato afetam o decorrer das pesquisas?
[Agliberto Junior] Esse ano, diferente de anos anteriores, só teremos 45 dias de campanha. Então, os candidatos terão menos tempo para entrar na cabeça do eleitor e ganhar o seu voto. Percebemos que as pesquisas eleitorais, este ano, elas ainda não começaram com tanta força a serem divulgadas, até porque sabemos que muitas são contratadas por partidos, ou até candidatos, que, automaticamente, sendo registradas viram de domínio público e os veículos de comunicação acabam se utilizando dos dados. Acredito que a partir da segundo quinzena de julho, o volume de pesquisa seja ampliado. O mês de setembro, porém, será a grande corrida. A legislação nos rege que precisamos fazer todo o registro da pesquisa, o número amostral, nível de confiança, margem de erro, qual formulário foi utilizado, localidade, dentre outros. Ou seja, existe toda uma regra a ser seguida. Claro que a legislação pode ser melhorada, até mesmo para que os dados possam ser cada vez mais preciso. Hoje, não existe obrigações além do registro. Quando o contratante quer divulgar, os institutos precisam fazer um registro junto ao Tribunal Regional Eleitoral. Com a chegada da tecnologia, as pesquisas vão começar a ter seus resultados mais rápidos. Então, poderão ser divulgadas em tempo real. Acredito que quem ganhará é a população, que terão resultados mais assertivos.

[OE] Há quem desconfie da idoneidade das pesquisas eleitorais. Existe margem para manipulação?
[AJ] De fato, em 2012, os institutos de pesquisa sofreram uma enxurrada de críticas. Inclusive, o deputado Heitor Ferrér, sentido-se prejudicado, bombardeou de críticas aos institutos de pesquisas. O que posso dizer é que existem empresas sérias no mercado. Hoje, temos três grandes institutos – Ibope, Datafolha e VoxPopuli – e tem outros locais também sérios. Existem empresas que não têm cuidado na divulgação das pesquisas. Inclusive, existem empresas vendendo as pesquisas a preço de banana. E é algo que me preocupa muito. Acho que se deve ter uma discussão bem mais profunda. Concordo com alguns criticas proferidas pelo deputado, mas não podemos generalizar. Além disso, os institutos têm investido em tecnologia, onde os papeis estão sendo eliminados, trabalhando inclusive no máximo de cidades.

[OE] Então, como explicar os “erros” observados em eleições passada? E o que ocasiona resultados tão divergentes?
[AJ] É preciso deixar claro que pesquisa não é um oráculo. As pesquisas são fotografias daquele momento. O pesquisador, quando vai às ruas, trabalha uma metodologia. O que vai diferencia é a metodologia. Tem uns institutos que gostam de aplicar pesquisa domiciliar. Outros, porém, abordando pessoas na ruas. Mas, todas trabalham com pessoas. Os erros podem ter inúmeros fatores. Pode ser, desde a coleta de dados até se houve o treinamento correto. Mas, sem querer defender, existe uma mudança muito radical no pensamento da população. Hoje, existe a influência das redes sociais, que irão interferir muito no resultado das urnas. Então, se tiver uma pesquisa hoje, você diz que vota num candidato “x”. Já à tarde, você mudou e vota no candidato “y”.
São fotografias. Por isso, é importante a rápida divulgação dos dados, para que o resultado seja aprimorado.

[OE] Qual o papel das pesquisas hoje?
[FM] Por mais que, hoje, a população seja multicanais – tá na televisão, na internet, no rádio. Ela, portanto, é exposta a todos os tipos de canais de informação e as redes sociais mexe com a nossa cabeça. Por isso, é importante escutá-las, mesmo que não seja numa tomada só. Precisamos acompanhar. Não acompanhar, é não ter norte. Mesmo sujeitos a mudança, é precisamos acompanhar a evolução. As vezes, esta se pensando em lançar uma candidatura e é preciso saber se vale a pena. Então, talvez, seja melhor do que estar cego.

[OE] Quem mais contrata pesquisa? E qual item mais exigido?
[AJ] Os partido e pré-candidatos são os principais compradores de pesquisas, hoje. Além deles, tem os meios de comunicação. Para eles, os resultados são usados basicamente para orientar e, até mesmo saber, se vale a pena se candidatar em determinado município. ou mesmo avaliar sua gestão e observar se a população consegue entender as politicas publicas adotadas. Já os meios de comunicação para embasar as informações. Outra coisa interessante é que, as vezes, chegam pessoas para contratar pesquisas que não tem qualquer veiculação politica, mas são grupos que querem saber quem vai apoiar. Então, pesquisa sendo feita de forma correta, seguindo as regras, elas são meios importantes de informação.

[OE] Ainda é cultural direcionarmos o voto em função do resultado de pesquisa?
[AJ] Claramente, existem estudos que apontam a influência das pesquisas. Culturalmente, ainda existe sob a justificativa de não perder o voto. Isso é visível que percebemos na campanha passada a aparição de inúmeros institutos que, ao final, os resultados distorciam muito do divulgado nas urnas.

[OE] Diante do cenário dos pré-candidatos já oficializados, o que já é possível prever da disputa em Fortaleza?
[AJ] O que se percebe, claramente, é que a disputa deste ano será acirrada. Temos o atual prefeito [Roberto Cláudio] com destaque nas obras de mobilidade. Além dele, temos o deputado Capitão Wagner, embalado na pauta da segurança pública. Inclusive, uma pesquisa nossa divulgada recentemente aponta que a principal preocupação do fortalezense é a segurança. Tem ainda a ex-prefeita Luizianne [Lins] que deve vir com muita força na periferia. O próprio Heitor [Férrer] que tenta mais uma vez se eleger prefeito. Então, todos vêm se articulando. Hoje, então, falar quem está na frente é complicado. Na próxima quinzena, estaremos divulgando uma pesquisa em parceria com o jornal O Estado. Por ser a primeira, estamos preparando com dados bem robustos, para que possamos ter resultados estratificados por região, até mesmo para fazer um raio X do atual cenário. A região Nordeste, hoje, é um cenário atípico. Não sabe quem é mais forte. Se é alguém apoiado pelo ex-presidente Lula, ou alguém pelos opositores. Até isso, teremos o cuidado de checar, até porque os próprios pré-candidatos estão tendo este cuidado.
[FM] O que sabemos é que o eleitor pensará mais vezes antes de votar. Desta vez, os atuais acontecimentos poderão provocar mudanças, além da pulverização de candidatos.

[OE] Já se pode notar o impacto da Operação Lava Jato nas pesquisas. E isso chega a Fortaleza?
[AJ] O Nordeste, de maneira geral, se comporta meio que à parte do resto do País. Se você fala que ela irá trazer impacto aos institutos, não. Por mais que alguns partidos contratem institutos, mas não consigo ver. Ela poderá influenciar diretamente na opinião da população. Isso porque as informações estão sendo jogadas a todo momento. Sites sendo criado a cada momento. Os movimentos nas ruas ganhando força, por conta dos escândalos. Quando as pesquisas começarem a ser divulgadas, nós poderemos observar as cicatrizes deixadas em cada partido por essa avalanche de denúncias.
[FM] Acreditamos que irá impactar, pois observamos que o Nordeste ainda possui um comportamento diferente do resto do País em relação à Operação Lava Jato. Existe uma gratidão por conta das políticas públicas adotadas nos últimos anos. Mas, até que ponto isso pode interferir, só após as primeiras divulgações de dados.

Glossário

Ceticismo. É qualquer atitude de questionamento para o conhecimento, fatos, opiniões ou crenças estabelecidas como fatos. Filosoficamente, é a doutrina da qual a mente humana não pode atingir nenhuma certeza a respeito da verdade.

Oráculo. É em caráter de significado etmológico, a resposta dada por uma divindade a uma questão pessoal através de artes divinatórias. odavia, nos dias de hoje, ele é igualmente atribuído a um objeto ou meio pelo qual alguém possa obter respostas para um esclarecimento maior.

Fonte: O Estado

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