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08/09/2015 - Candidatos devem enfrentar dificuldades para conseguir doações nas eleições de 2016

Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais de 2016, partidos já têm se articulado para indicar candidatos para o próximo pleito. Apesar de disporem de nomes para a disputa, um impasse precisa ser contornado pelas legendas: o financiamento dessas candidaturas. O cenário é agravado por uma crise econômica e por escândalos de corrupção que envolvem doações de empresas a campanhas políticas. Alguns dirigentes partidários trabalham com a hipótese de orçamento eleitoral mais curto no próximo ano.


Para se ter uma ideia do volume de recursos movimentados nas campanhas majoritárias, na última eleição para a Prefeitura de Fortaleza, em 2012, o candidato vencedor, o atual prefeito Roberto Cláudio, declarou ter gasto R$ 18,5 milhões para conseguir se eleger. O segundo colocado no pleito, o petista Elmano Freitas, superou os R$ 11 milhões em despesas. Os dados estão disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O terceiro a receber mais votos na disputa para prefeito, o deputado Heitor Férrer, teve gastos de pouco menos de R$ 928 mil. O postulante, que concorreu ao cargo com legenda pelo PDT, chegou perto do segundo turno, encostando nos votos de Roberto Cláudio e Elmano. 

No contexto atual, Heitor Férrer é considerado um dos principais candidatos a concorrer ao cargo hoje ocupado por Roberto Cláudio. O prefeito de Fortaleza, eleito pelo PSB e depois filiado ao PROS, negocia ingresso no PDT, o mesmo partido pelo qual Heitor Férrer disputou em 2012. Completando o cenário de ironia e dinâmica políticas, Férrer está prestes a entrar no PSB, a mesma legenda que deu guarida a Roberto Cláudio nas últimas eleições municipais. 

Recursos modestos 
Procurado pelo Diário do Nordeste, Heitor Férrer afirma que, tendo como parâmetro a campanha de 2012, ele se prepara para uma candidatura com recursos modestos. “Vou me basear pelo que fiz como candidato do PDT. Fizemos uma campanha que tinha sete carros de som e 35 ativistas,  papel e adesivos. O mais caro foi o programa de televisão. E fomos o terceiro colocado, distante do candidato do governador por 29 mil votos”, ressalta.

Outro aspecto que torna indefinido o cenário eleitoral do próximo ano é a pendência de votação de alguns temas relacionados à reforma política, como as propostas sobre financiamento eleitoral de campanha. Na última semana, o Senado aprovou matéria que proíbe doações eleições de empresas privadas a campanhas políticas. O projeto volta para a Câmara Federal, que ainda pode alterar a proposição.

Heitor Férrer diz ser favorável à aprovação da proposta, justificando que o fim do financiamento empresarial a campanhas eleitorais barateia o pleito. “Espera­se sensatez da Câmara e da Presidência de não vetar. O que devemos apostar é no Fundo Partidário e doações de pessoas físicas para haver barateamento das campanhas”, defende. 

O provável candidato a prefeito da Capital ressalta que o gasto mais alto na sua campanha em 2012 foi com o marketing para produção de programas televisivos. “Sou honesto, trabalho para ser nos mesmos moldes (de 2012), para que seja uma campanha simples, sem gastos exorbitantes, mostrando que o simples convence da mesmo forma que o complexo, convence até mais, eu diria”, afirma Férrer. 

Ainda correligionário de Heitor Férrer, que não saiu do PDT oficialmente, o presidente estadual do partido, o deputado federal André Figueiredo, remete às últimas campanhas eleitorais da sigla para argumentar que não consegue mensurar os custos de uma eleição para tentar reeleger o prefeito Roberto Cláudio.

“São duas estruturas diferentes de campanha, somos acostumados a tirar leite de pedra, a do Heitor (Férrer) foi barata, conseguimos recursos com amigos. Dentro de uma vinda do Roberto Cláudio, não tenho como ter parâmetro. No PDT, a gente fica muito tranquilo, porque sempre fomos acostumados a fazer campanhas módicas”, relata. 

Planejamento 
Figueiredo alega que não há como fazer planejamento financeiro para a disputa eleitoral da Capital, porque nem todas as propostas concernentes à reforma política foram aprovadas no Congresso. “A gente não aprovou sequer como devem ser as regras de eleições de campanha no ano que vem. Preciso saber se terá doações de empresas, de pessoas físicas”, justifica, defendendo fim de doações privadas.  

“Tenho muita esperança que sim (o fim das doações privadas às eleições seja aprovado), porque mais importante do que gastar dinheiro em eleição é ter propostas, credibilidade com a população. Quanto menos recursos de empresas envolvidos na campanha, melhor”, avalia.

Já o presidente de honra do PR cearense, Lúcio Alcântara, diz acreditar que as eleições do próximo ano vão ser impactadas pelos efeitos das operações que investigam corrupção na Petrobras para custear campanhas eleitorais. “Essa campanha deve ser modesta. Vai haver uma retração de financiamento, não vai ter muita gente que vai querer colocar dinheiro na campanha. Espero que seja uma campanha de propostas”, projeta. 

“Acredito que o público vai repudiar campanhas milionários, com muito dinheiro”, acrescenta. Lúcio Alcântara afirma que o deputado estadual Capitão Wagner é o nome mais indicado que o PR tem para indicar para a disputa da Prefeitura de Fortaleza. Segundo ele, a aceitação do parlamentar não prescinde de grande volume de investimentos na campanha. 

“É um candidato que está muito bem em Fortaleza, vamos lutar com meios que sempre tivemos, não é só dinheiro e estrutura que ganham eleição, ele (Wagner) está bem estruturado”, diz, alegando não saber de qualquer negociação do deputado com outros partidos, incluindo o PSDB. 

Fonte: Diário do Nordeste 

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