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07/09/2015 - Deputados relatam preocupação com impacto da crise no Ceará

Deputados da Assembleia Legislativa receberam com surpresa, a informação do secretário da Fazenda, Mauro Filho, de que o Governo Estadual pagará em dias os servidores públicos. De acordo com alguns parlamentares, essa medida é consequência direta da crise econômica e do modelo econômico adotado pelo Governo Dilma Rousseff. Enquanto uns criticam a política adotada pelo ministro Joaquim Levy, outros defendem que essa é a única forma de retomar o crescimento do País.


O deputado Zé Ailton Brasil (PP) disse que o ministro Levy vem praticando aquilo que já deveria ter sido feito há um tempo, que seria a reorganização das finanças do País. Ele ressaltou ainda que, apesar do “remédio amargo”, é necessário que o Brasil passe por esse momento para poder encontrar o controle fiscal. “Não é a política econômica que desejaríamos, mas ela está combatendo a despesa em busca de um novo crescimento. O erro foi cometido lá atrás, quando se tomou medidas pensando apenas no processo eleitoral”. 

Segundo ele, por enquanto o Ceará passa distante do processo de crise econômica, visto que tem capacidade de endividamento. “Temos capacidade de endividamento e um resultado primário que mostra que os servidores serão pagos até o fim do ano. O Estado pagou os juros da dívida rigorosamente, o que poucos estados conseguiram fazer”. Ele afirmou ainda que todas as falas do secretário da Fazenda tratam, justamente, sobre o equilíbrio necessário no momento. “Temos que ressaltar que o Mauro, ao longo dos anos, teve controle da receita e despesa, o que a União não fez”. 

O petista Manoel Santana discorda do colega, e para ele, a presidente Dilma Rousseff cedeu às pressões de sua base de apoio, que é formada por políticos que se identificam com a política econômica adotada por Joaquim Levy. “A Dilma conseguiu apresentar a menor taxa Selic do Brasil, em 7,5%, e, de repente, houve uma mudança na rota da política econômica. Agora os movimentos sociais tem que se reunir para se impor e cobrar retorno à política econômica petista”. 

De acordo com ele, não somente o Ceará está sofrendo, mas todos os demais estados. As unidades federativas, segundo o parlamentar, precisam agora fazer contenção de gastos, visto o desequilíbrio da balança comercia, que tem refletido em uma arrecadação menor. Para Ely Aguiar (PSDC), o Brasil inteiro está sentindo os efeitos da política econômica federal, o que pode ser confirmado nas informações dadas pelo secretário da Fazenda, Mauro Filho. Ele lembrou ainda o caso do Governo do Rio Grande do Sul, que tem parcelado o pagamento do funcionalismo público estadual.

“Essa política econômica está trazendo reflexos para todos os setores. A Assembleia Legislativa do Ceará criou altos impostos, e creio que nos próximos dias, a população vai sentir a inflação mais forte. Esse Governo está desorientado desde o segundo Governo Lula, porque o Brasil preferiu investir lá fora, pensando na malversação do dinheiro público”, disse. 

A deputada Silvana Oliveira (PMDB), apesar de ser da oposição ao Governo Camilo Santana, afirmou que o modelo implantado pela Secretaria da Fazenda do Ceará tem dado certo até então. Ela também defendeu a política econômica adotada pelo ministro Joaquim Levy, afirmando que ele está aplicando medidas impopulares porque “pegou a casa desarrumada”. “Não podemos dizer que o Ceará não está no rumo. Pelo que estamos vendo, o Estado está conduzindo a economia de maneira correta”. 

Pagamento 
O pedetista Heitor Férrer destacou que o Ceará sofre tanto quanto os outros estados, tanto que a garantia de pagamento dos funcionários públicos foi limitada até dezembro desse ano. “Isso faz com que aquele que pensava em gastar seu dinheiro com a compra de um CD ou uma merenda desista, porque está com medo da crise atingir seu bolso. O País precisa de dinheiro de vendas e o comprador não sai às ruas porque está com medo de comprar”.  

Já Agenor Neto (PMDB) afirmou que o Ceará segue sendo discriminado e recebendo menos recursos federais do que Pernambuco. Ele salientou ainda que o governador Camilo Santana não tem dialogado com os parlamentares para resolver os problemas que vão surgindo. “O povo está muito cansado, decepcionado com os políticos que dizem uma coisa na campanha e depois mudam totalmente”.

José Sarto (PROS) lembrou que nos primeiros seis meses de 2015, os juros bancários chegaram a R$ 558 bilhões contra R$ 245 bilhões no mesmo período do ano anterior. Para o parlamentar, a política econômica adotada atualmente pelo Governo está indo em rumo contrário ao que adotou no passado, visto que os as instituições bancárias seguem lucrando em detrimento da área produtora. Para ele, apesar de todas as críticas estarem recaindo sobre o ministro Levy, a presidente Dilma é quem está dando o aval para todos os cortes de benefícios e aumento de impostos. 

Fonte: Diário do Nordeste 

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