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21/08/2015 - PDT vendeu a alma, afirma senador Cristovam Buarque

Liderança tradicional do PDT, o senador Cristovam Buarque afirmou que o partido perdeu o rumo, a personalidade e vendeu a alma. Durante passagem por Fortaleza, em entrevista ao Diário do Nordeste, o parlamentar ressaltou que a agremiação está hoje muito distante dos ideais defendidos por Leonel Brizola ou Darcy Ribeiro e avaliou que o ingresso de Cid e Ciro Gomes na sigla é resultado de uma legenda muito mais preocupada com o ponto de vista eleitoral do que qualquer princípio ideológico.


Cristovam Buarque alegou que qualquer análise sobre a ida de Cid e Ciro Gomes para o PDT deve ser estudada de acordo com a preocupação com o tempo em que eles permanecerão na agremiação. "Eu acho que a avaliação vai precisar de alguns meses ou anos, porque é preciso primeiro saber quanto tempo eles ficam. Na história deles, recente, eles ficam pouco tempo nos partidos. Então, vai ter que esperar para ver o que eles vão trazer", frisou. 

O senador destacou que os dois irmãos chocam com perfil ideológico do partido. "Eles têm muita força no Ceará e prestígio no Brasil. Eles vão trazer votos. Ideologicamente, sinceramente, eu acho que tem uma certa quebra da nossa visão partidária que vem de Darcy Ribeiro, de Leonel Brizola, tendo a educação como verdadeiro vetor do processo", esclareceu. 

O parlamentar apontou, no entanto, que o PDT enfrenta este problema já há muito tempo. "O PDT, ao meu ver, perdeu rumo. Isso eu previ em 2006, quando o Lupi decidiu aceitar o convite para ser ministro do Lula. Ao entrar no Ministério, nós perdemos a nossa identidade. Passamos a ser mais um daqueles partidos que estavam ali e tivemos que justificar coisas horríveis", analisou o senador. 

Na visão de Cristovam Buarque, o PDT perdeu a personalidade ao se manter ao lado dos governos petistas. "Em 2010, quando Dilma foi eleita, eu fui contra continuar. Quando o Lupi saiu, eu fui contra o Manoel (Dias) continuar. Agora quando a Dilma foi reeleita, eu fui contra continuar. Acho que foi um grande erro. Perdemos personalidade", explicou o senador. 

Apesar de toda a insatisfação, Cristovam Buarque revelou que não pretende deixar o partido, pois alegou que as outras agremiações também não estão livres dos problemas relatados. "Quem está na política, não sai do partido. Entra noutro. Sai de um para entrar noutro". 

Conivente 
Para Cristovam Buarque, contudo, o PDT falhou ao não exigir mais do Executivo e ao aceitar o modelo petista de governar. "Primeiro, tem sido conivente com a corrupção. Fechou os olhos ao aparelhamento da máquina do Estado por parte do governo. Não alertou para os erros da presidente Dilma, como eu alertei."

O pedetista ainda acrescentou que a saída da base na Câmara Federal foi apenas "jogo de cena" protagonizado pela bancada da sigla. O senador disse lamentar que o PDT hoje prioriza os cargos e o êxito nas eleições em detrimento de outras questões mais relevantes.

"E com cargos para ganhar eleição, que é uma tragédia do fisiologismo da política brasileira. Quer apoiar o Governo para cargo e quer usar cargos para ganhar eleição. Às vezes, termina até ganhando, mas vende a alma. O PDT vendeu a alma", declarou o pedetista. 

Cristovam Buarque enxerga que a chegada de Ciro e Cid é consequência dessa postura já adotada pelo partido há algum tempo. "Eu tenho certeza hoje que o PDT está com o objetivo eleitoral, mas não por causa da entrada do Ciro. Já é bem antes disso. A culpa não é do Cid e do Ciro. A culpa é do PDT." 

O congressista revelou que, mesmo com todo o descontentamento com o partido, tinha o interesse de disputar mais uma vez a presidência da República em 2018, mas afirmou que o presidente Carlos Lupi terminou por fazer outra escolha. 

"Agora não é mais viável eu ser candidato, porque o PDT, através do Lupi, já escolheu que vai ser o Cid ou Ciro. Ou como dizem nos bastidores, um deles vai ser o vice do Lula. Então, eu me considero totalmente fora, mas vou ficar no PDT lutando pelo fortalecimento do partido", acrescentou Cristovam. 

O senador alertou, porém, que a entrada do grupo político liderado por Ciro e Cid traz nomes com experiência no Executivo e acredita que, por esse lado, pode contribuir para o fortalecimento do PDT. 

Presente em Fortaleza no mesmo dia em que Carlos Lupi está na Capital e na data de realização do encontro estadual do PDT, Cristovam Buarque negou não ter participado do evento por insatisfação com a forma como a sigla tem sido conduzida. O parlamentar justificou que apenas não foi convidado e por já ter organizado o lançamento do livro dele no mesmo horário. 

Fonte: Diário do Nordeste 

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