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20/06/2017 - Políticos acreditam que abstenção do eleitorado será ainda maior na próxima eleição

Em 2016, pouco mais de 18% dos cearenses optaram por não escolher os prefeitos dos 184 municípios do Ceará, no segundo turno. Na primeira etapa, quando também estavam na vitrine candidatos a vereador, foram 14,6% os que abriram mão da prerrogativa. Na eleição de 2014, onde foram eleitos os governadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores e presidente da República, a abstenção do eleitorado cearense foi de 20,12% no primeiro turno e 21,75% no segundo. Aquele pleito aconteceu logo depois dos movimentos realizados em todo o país contra a corrupção e exigindo melhora na educação, saúde e transporte público.
Passados quase quatro anos e já com uma nova eleição para os mesmos cargos batendo à porta, a expectativa é que o número de eleitores que não vão votar, não apenas no Ceará, como no Brasil todo, seja ainda maior no pleito de 2018. A estimativa é de deputados estaduais cearenses ouvidos pelo Diário do Nordeste, com base nos escândalos que abalam cada vez mais a credibilidade dos políticos.
Fernando Hugo (PP) é o deputado com mais mandatos atualmente na Assembleia Legislativa do Ceará. Ele considera que percentuais em torno de 20%, observando-se o comportamento do eleitor pelo mundo, principalmente de países do norte da América, não chega a ser um número assustador. “Porém, o eleitorado brasileiro que tenho chamado reiteradamente de eleitorado delinquente pelo comportamento de ser pedinte, por sempre postar-se na âncora dos candidatos, ele tem se afastado numa crescente de abstenção eleitoral preocupante”, analisa. “Imagine se o voto não fosse obrigatório no Brasil? Quem seria eleito, mais do que já, seriam os candidatos ricos que podem pôr à disposição dos eleitores, sejam da zona urbana ou rural, toda a oferta de transporte que cultivará a delinquência eleitoral maior ainda”.
Caso continue, ele emenda, na vida pública brasileira, à qual engloba a Política, a Justiça e ministérios públicos, “atos irresponsáveis, insanos que tornam nosso Brasil um país sem prumo nem rumo, sem Justiça ou ordenamento político, teremos abstenção cada vez mais crescente, o que favorece aos mais ricos, que aquinhoados como são, poderão comprar votos”.
Hugo avalia que não há legislação política, eleitoral e partidária forte nos dias atuais. “E o pior é que não existe por parte dos ministérios públicos eleitorais, em nenhuma grande cidade do Brasil, em nenhum Estado, condições policialescas de fiscalização antes, durante e depois das eleições. É tocar o barco e deixar a bola correr desse jeito. Preocupando a nós cidadãos, demais, com a ascensão da abstenção do eleitorado no Brasil”.
O deputado Julinho (PDT) acredita que haverá redução dos que comparecerão às urnas no pleito do próximo ano. “Infelizmente vai aumentar. Mas a população tem que entender que se não participar efetivamente na escolha dos seus representantes, acaba que aqueles mal intencionados se sobressairão pelos bem-intencionados”, alerta. “Lamento dizer isso, mas acredito que vai aumentar a abstenção pelo descrédito ou pela frustração devido esses escândalos virem à tona dia após dia”.
Para ele, o efeito deveria ser o contrário. “Acho que, por tudo o que acontece, com o Brasil sendo passado a limpo, a população deveria participar ainda mais, para colocar pessoas certos nos lugares certos, no poder público”.
Cabe aos políticos, na visão do parlamentar, conscientizar a população, dizer que se o eleitor não se envolver e tentar mudar, escolhendo pessoas certas, a situação não vai melhorar. “Acaba que políticos ruins continuarão se elegendo. Se a população procurar pesquisar o passado dos candidatos e ver as melhores propostas, vamos começar a melhorar, oxigenando, dando oportunidade a pessoas que realmente façam a diferença para o bem”, orienta. “Agora, se simplesmente porque está frustrado, decepcionado, o eleitor cruzar os braços, nada vai mudar. Só muda quando a gente muda e a população tem papel protagonista para isso”.
Na visão do deputado Renato Roseno (PSOL) Há “sem dúvida”, um grande desalento que faz com que as pessoas se abstenham. “Há uma crise de representação e de representatividade”. Todavia, ele diz crer que essa crise se estenderá por muitos anos e que somente será superada se houver o surgimento de novas forças políticas nacionais com poder para propor uma ampla, profunda e democrática reforma política desde a sociedade civil organizada. “Há um divórcio entre os apelos da sociedade e os acordos de sobrevivência dos políticos tradicionais”, aponta.
Heitor Férrer (PSB) fala que as decepções afastam as pessoas de seus sonhos e que no campo político não seria diferente. “Os escândalos da República envolvendo políticos e empresários desestimulam a todos”. A fim de estimular os votantes a saírem de suas casas para escolherem nas urnas, ele prega que os políticos, principais alvos de críticas Brasil afora, devem fazer valer que a democracia se consolida com crises que acabam por criar soluções. “A primeira solução seria escolher bons representantes populares e acompanhar os mandatos desses representantes”, conta. “A imprensa e redes sociais serão grandes instrumentos de ligação dos detentores de mandatos e a sociedade. Por esses instrumentos, devemos mostrar nosso desempenho e o eleitor fazer o discernimento”.
Por sua vez, o deputado Roberto Mesquita (PSD) diz crer que cabe aos eleitores a tarefa de eleger pessoas dignas. “É hora, inclusive, de reflexão por parte do eleitor. Ele tem que colocar na balança que, ao não votar, mantém aqueles que se utilizam dos currais eleitorais organizados principalmente pelas condutas que estão nos causando desprezo”. Aos políticos, fala que devem atuar de forma clara e sem subterfúgios.


Fonte: Diário do Nordeste

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