Na Mídia

21/04/2017 - Filiados buscam uma melhor posição eleitoral

Uma das reclamações de políticos cearenses quanto à ideologia partidária é o uso das agremiações como moeda de troca, para a viabilização de um possível mandato eletivo. No entanto, conforme levantamento feito pelo Diário do Nordeste, a maioria dos deputados da Assembleia Legislativa cearense já integrou mais de um partido durante a vida política, sendo a minoria fiel a apenas uma legenda.

Os parlamentares reclamam uma redução no número de agremiações pois, segundo eles, as diversas legendas existentes no País servem apenas para que "aventureiros" se utilizem de tal espaço para se perpetuarem no poder, seja Legislativo ou Executivo. Como a maioria dos grêmios, hoje em dia, não tem uma ideologia sólida, filiados a eles estão pessoas de todos os tipos de pensamentos.

Para se ter uma noção da quantidade de oportunidades que os políticos brasileiros têm quanto à escolha partidária, da década de 1980 até o momento foram criados 35 partidos políticos, sendo 8 a partir de 1981 até o início da década seguinte, 16 nos anos 1990 e 11 de 2005 a 2015. Com tantas agremiações assim, ficou fácil para alguns ingressarem em siglas partidárias sem qualquer compromisso com identidade ideológica.

Em 1981 nascia o PMDB, oriundo do MDB, com ideias de centro. Em seguida o PSDB surgiu com conceitos da social-democracia. PDT, representante dos trabalhistas, surgia também, assim como o PT, oriundo do movimento sindical no pós-greves do ABC Paulista. O que se viu no decorrer dos últimos 30 anos foi o surgimento de dezenas de partidos sem um funcionamento programático ou ideologia consolidada.

Casos

Com isso, as migrações foram feitas de acordo com a conveniência de cada um. Na Assembleia Legislativa do Ceará poucos são aqueles parlamentares que começaram numa sigla e nela permanecem até hoje. Para alguns, em determinados casos, isso é justificável, mas não na maior parte deles.

Para se ter uma ideia, dos 13 deputados da Casa que estão no PDT atualmente, 11 deles já foram membros de outros partidos. Somente Ferreira Aragão e Evandro Leitão sempre fizeram parte dos quadros da legenda. Heitor Férrer, atualmente, do PSB, já foi o principal nome da sigla pedetista e, curiosamente, a maior parte dos integrantes do PDT integraram o PSB e, mais recentemente, do PROS.

Os membros de PSD e PMB na Assembleia já estiveram filiados ao PMDB, PSDB e PR, no passado recente. Já os membros atuais do Partido Progressista (PP), hoje, não foram eleitos pela legenda. Joaquim Noronha, que foi eleito pelo grêmio, atualmente preside o PRP.

Tudo indica também que, até o pleito do próximo ano, se não houver qualquer alteração na legislação eleitoral, a "dança das cadeiras" nos partidos se repetirá, até porque muitos deputados cearenses estão insatisfeitos com suas legendas.

Modificada

Para Sérgio Aguiar, que já passou por PPS, PSB, PROS e atualmente está no PDT, somente com uma Reforma Política sólida, que diminua a quantidade de partidos, é que a situação vai ser modificada. Ele reconhece que já pertenceu a algumas legendas, mas destaca que tem origem em um grupo político e sempre acompanha esse grupo nas decisões partidárias.

"Atualmente, não se leva em conta a ideologia do partido, mas a conveniência individual ou de grupo político para as eleições", declarou Aguiar. Eleito três vezes pelo PV e atualmente no PSD, Roberto Mesquita avalia que uma cláusula de barreira seria o ideal para reduzir a proliferação de legendas no País. "Creio que deve haver verticalização e o fim das coligações, que viraram moeda de troca nas eleições, junto com o tempo de televisão".

Atraídos

Odilon Aguiar, que já esteve no PMDB, PROS e agora é filiado ao PMB, o Partido da Mulher Brasileira, informou ao Diário que tem tido dificuldade no que diz respeito à questão partidária. "Vejo que o problema é sistêmico por conta da fragilidade dos partidos, e isso acaba não oferecendo aos seus filiados uma ativa participação".

Tendo o PR como seu único partido, Capitão Wagner afirmou que a mudança de partido se justifica em alguns casos, mas em outras circunstâncias o que se vê são "pessoas pulando de partido de acordo com a conveniência política, as vezes para estar no poder ou próximo dele".

Membro do PDT desde 2009, Evandro Leitão afirmou que o sistema político vive um momento crítico diante do excesso de partidos, com a maioria das legendas sem ideologias ou bandeiras. "Com isso, muitas vezes, os quadros são atraídos pela perspectiva de poder, e não pelo espírito público. Só tive um partido, o PDT, ao qual sou filiado desde 2009. Fui atraído pela sigla para fazer parte de seus quadros pelo pensamento brizolista".

Fonte: Diário do Nordeste

Mais na mídia

24/09/2017
25/09/2017
26/09/2017
25/09/2017
veja mais