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07/03/2015 - Oposição arrefece postura na AL

Ao que tudo indica, a oposição tende a diminuir na Assembleia Legislativa do Ceará. Isso se dará porque deputados que no início da Legislatura oposicionistas à candidatura do governador Camilo Santana agora amenizam o discurso contra o gestor.

O caso mais perceptível é o do deputado Roberto Mesquita, do PV, que chegou a dizer, nas últimas sessões, que o Governo do Estado havia tirado todas as suas dúvidas em relação a possíveis irregularidades no Acquário Ceará, afirmando, inclusive, que não vai assinar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposto pelo peemedebista Audic Mota, para investigar a obra.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, Mesquita disse que vai continuar trabalhando de forma independente. Porém, quando questionado se nos próximos meses pode se tornar governista, desconversou. "Eu não digo que dessa água não beberei. O que eu digo é que, do fundo da minha alma, todas as atitudes do governador Camilo até aqui eu sou simpático. Eu gosto do Governo e vou ratificar: tenho tido muita simpatia pelos gestos e tenho gostado da postura dele, que é diferente do outro governante (Cid Gomes)", afirmou.

Embate político

O deputado destacou que a ida do gestor para a Assembleia, assim como a liberação para que secretários compareçam à Casa, foram pontos positivos da nova gestão que o impediram de criticar os posicionamentos. "Eu não vejo motivo para CPI e eu acho que quem 'comeu mosca' foi o senador Eunício, porque ele era aliado do governador, participou do embate político recente, onde não cansava de dizer que a maior obra hídrica do Governo passado era o Acquário. Ele não pesquisou que o empréstimo não tinha saído", declarou.

Nas eleições passadas, Roberto Mesquita foi um dos aliados de Eunício Oliveira, que solicitou informações a respeito de um empréstimo do Governo do Ceará ao Senado para condução da obra, o que não foi feito.

Para investigar possíveis irregularidades nas obras do Acquario, Audic Mota apresentou pedido de CPI, mas este não recebeu nem a assinatura de todos os peemedebistas e dos que se intitulam oposição. Além do autor da CPI, João Jaime (DEM), só Fernanda Pessoa (PR), Wagner Sousa (PR), Danniel Oliveira (PMDB), Carlos Matos (PSDB), Tomaz Holanda (PPS), Renato Roseno (PSOL) e Heitor Férrer (PDT) assinaram o pedido.

O peemedebista disse que vai insistir na solicitação de abertura de inquérito, mas evitou ceder uma cópia do documento, uma vez que, segundo ele, a proposta pode sofrer alterações, dependendo do que for apresentado pelo Governo do Estado. Segundo informou, caso o Poder Executivo resolva as questões técnicas questionadas pela oposição, a CPI não terá razão de existir. "Queremos que o Governo explique, tecnicamente, o que gastou, como vai gastar o restante da obra e se vai utilizar dinheiro próprio", enfatizou.

Ely Aguiar (PSDC) não assinou a matéria e, mesmo tendo votado com a oposição nas primeiras votações da Casa, alega ser independente. "No que eu achar que o Governo está certo, vou votar favorável" apontou, ressaltando, porém, que não há qualquer possibilidade de vir a ser governista. "Vou manter minha independência", pontuou.

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