Análises

08/03/2015 - O que esperar do cenário político após a lista da Lava Jato?

GENECIAS NORONHA
Deputado federal (SD/CE)
No Congresso Nacional o clima está tenso. No entanto, não podemos condenar ninguém até agora. Precisamos de muita serenidade neste momento sem condenar ninguém. E depois temos que dar o direito dos listados à defesa. Claro que os culpados têm que pagar, mas ressalto que não devemos deixar de dar o pleno direito de defesa a nenhum dos acusados. Defendo que pessoas que causem mal a qualquer órgão público paguem pelos seus atos, mas temos que saber com certeza quem é o verdadeiro corrupto, separar o joio do trigo, porque têm casos que o nome da pessoa está na lista mas ela não está envolvida no caso. Obviamente que as decisões sobre eventuais cassações serão políticas, mas o ato de corrupção será o fator preponderante para que hajam esses pedidos.

 

HEITOR FÉRRER
Deputado estadual (PDT)
A nação está perplexa diante de um dos maiores escândalos de corrupção detectados na história da nossa República. Evidencia-se, claramente, a consolidação de parceria público-privada, eticamente distorcida, para o enriquecimento de grande parte do empresariado, que se locupleta com verdadeiro saque aos cofres públicos. Instalou-se cenário de angústia e desesperança da sociedade em relação aos agentes da cúpula dirigente do Estado brasileiro, ao mesmo tempo em que nasce a vibração de que alguns órgãos da administração tornaram-se independentes na sua função investigativa, como o Ministério Público e a Polícia Federal. Constatada na lista enviada pelo Procurador-Geral da República ao STF a presença de nomes expressivos da política nacional, espera-se punição exemplar para que fique bem notabilizado, aos que antes se julgavam imunes, que esses novos tempos já não lhes dão a absoluta certeza do manto da impunidade.

 

DANILO FORTE
Deputado federal (PMDB/CE)
Muito preocupante em função do quadro de deterioração da economia, onde todos os indicadores permanecem ruins e se agravam negativamente. A grande dificuldade por parte do Governo Federal é a execução do diálogo tão necessário para superarmos este momento de crise. Não tem mais condição de se querer fazer pacotes prontos e, simplesmente, querer que o Congresso Nacional e a sociedade brasileira o absorva sem que o poder Executivo possa também demonstrar uma cota de sacrifício que passa necessariamente pela diminuição do governo brasileiro no que diz respeito no número de ministérios, de cargos comissionados do Governo Federal, no corte de despesas que aí, sim, poderá gerar uma credibilidade na sociedade para se exigir esforços dos demais segmentos no que diz respeito a um ajuste fiscal.

 

CARLOS MATOS
Deputado estadual (PSDB/CE) 
O país vem dando sinais de que quer vida limpa. O projeto ficha limpa já é exemplo disso. Mas ter ficha limpa não significa ter ou não processo, mas sim, vida limpa. Espero que a Lava Jato possa ser divisor de águas. Outro ponto que devemos observar é a discussão estabelecida a respeito do financiamento público de campanha. Com o escândalo da Petrobras, acredito que foi criado ambiente propício para uma reforma política, para dar a resposta ao que o povo quer. As pesquisas que mostram queda na popularidade da presidente indicam que o brasileiro está atento. Se a eleição fosse hoje, não seria eleita. É inadmissível o que acontece no Brasil, sem que nenhuma providência seja tomada. Graça Foster, ex-presidente da Petrobras, foi sustentada no cargo de maneira irresponsável, gerando prejuízo enorme para a estatal. Diante de tanta corrupção, o brasileiro não vai mais aceitar a história de que não há dinheiro para saúde e educação.

 

ÍTALO CORIOLANO
Editor adjunto do núcleo de Conjuntura do O POVO
A divulgação da lista com políticos que serão investigados por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras deverá aumentar ainda mais a pressão sobre o governo Dilma. Basta apenas citar a reação do presidente do Senado, Renan Calheiros, quando vazou a informação de que seu nome estaria entre os alvos da PGR. Tratou logo de barrar a MP das desonerações, numa clara chantagem contra o Planalto. Ele exige espécie de “blindagem” para conseguir manter-se no cargo. Trocando em miúdos, defende interferência direta do Executivo nos trabalhos do MPF. O momento requer maturidade, pois mesmo com os pedidos de abertura de inquérito já acatados pelo Supremo, isso não significa que os nomes citados sejam culpados. Há todo um minucioso processo pela frente. Posturas do tipo, além de péssimo exemplo para os outros parlamentares, servem para lançar mais desconfianças sobre o Congresso. Afinal, “quem não deve, não teme”. Muito menos tenta fazer um Poder de refém.

 

HENRIQUE ARAÚJO

Editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO 

A diferença entre a Operação Lava-Jato e as demais é que, agora, a casa também caiu para os corruptores. No Brasil, a liturgia do ilícito era apenas parcialmente conhecida: sabia-se quem praticava o crime na ponta, mas não quem o deflagrava. Atualmente na 9ª fase e prestes a completar um ano (a operação teve início em 17 de março de 2014), a Lava-Jato expôs, pela primeira vez, toda a cadeia de banditismo sistêmico que assalta o Estado: do empresário, que se articula ao político (e a lista prova que a corrupção é suprapartidária), passando por atravessadores e chegando às empresas públicas. Desde Watergate, responsável pela queda de um presidente, uma máxima nunca fez tanto sentido. O que a ação conduzida pelo juiz Sérgio Moro ensina é que seguir o rastro do dinheiro pode ser custoso, desgastante e aflitivo. Os resultados, como mostra a lista com 49 nomes, devem funcionar como um sofrido, mas inadiável parto de um 
novo processo democrático.  

Fonte: Jornal O Povo

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