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16/05/2014 - Editorial do JORNAL O POVO:"Assassinato de mãe em porta de colégio choca Fortaleza"

Fortaleza está chocada com o assassinato de uma mãe, diante da filha de cinco anos (que também saiu ferida), na porta de um colégio, em Messejana. Os indícios são de execução, dada a quantidade de disparos no corpo da vítima e o fato de seus pertences não terem sido levados.A vítima chamava-se Daniela de Paula Moreira, 33 anos, e foi morta com quatro tiros na cabeça. Uma bala feriu a menina. O crime, da forma em que foi realizado, demonstra a crueldade com que se reveste cada vez mais a violência no Ceará (repetindo um quadro observado em todo o País). Só que, aqui, ganha aspectos calamitosos. De janeiro a abril deste ano já foram registrados 1.632 homicídios em todo o Ceará, ou 408 por mês ou quase 14 por dia, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

A conta este mês já chega a 134 assassinatos. Uma verdadeira hecatombe.Além de agirem friamente, sem o menor escrúpulo ou resquício de humanidade, os criminosos não denotam qualquer temor de punição. Agem como se não houvesse um Estado organizado, encarregado de assegurar a segurança dos cidadãos e ao qual devessem temer, em caso de violação das normas legais. Com isso, as instituições públicas são desmoralizadas e os criminosos redobram o desprezo às suas determinações.Evidentemente, não se pode esperar da Polícia que seja onipresente a cada ponto da cidade, adivinhando cada passo dos criminosos. No caso em tela, a Polícia não contava com uma denúncia da vítima sobre alguma suposta ameaça. Não é essa a cobrança que se faz à corporação, ainda que Fortaleza devesse ter um esquema de cobertura policial mais eficaz, capaz de abranger as saídas de fugas principais, dos bairros ou das regiões (já reclamamos isso, neste mesmo espaço, em relação à circulação de motos, por exemplo). A grande questão é como prevenir.

Ora, prevenção mais eficaz é a da certeza da punição. Se os criminosos soubessem que a mão do Estado os alcançaria, certamente, pensariam duas vezes, antes de se arriscar a cometer um crime. Não se diga que reprimir criminosos não seja tarefa factível. Na verdade, é a justificativa principal para a existência da Polícia. Sem ela, tudo vira faz-de-conta.

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